O Cárcere, de Cesare Pavese
O Cárcere
Autor: Cesare Pavese
Tradução: Ana Fonseca Santos e Anabela Nascimento
Revisão de texto: Isabel Castro Silva
Na capa: Vista do atelier do artista em Dresden, no Elba (janela da esquerda), de Caspar David Friedrich (anos 1805/1806)
126 páginas
Editora: De A a Zola
Ano da edição: 2025
ISBN: 978-989-33-8463-3
Cesare Pavese escreveu «O Cárcere» (Il Carcere, na versão original) entre 1938 e 1939. A novela seria publicada em 1948, em conjunto com outra novela curta, «A casa na Colina» (La Casa in Collina) num volume intitulado «Antes que o galo cante» (Prima che il gallo canti), pela emblemática editora italiana Enaudi.
Em Portugal, o volume conheceu uma tradução, de Fernanda Barreira, editada pela Arcádia em 1959. Foi a leitura desse livro, encontrado num alfarrabista, que levou à decisão de voltar a traduzir e publicar «O Cárcere».
O romance, escrito no período do fascismo italiano, é inspirado na vivência de Pavese, que foi preso pelo regime em 1935 e condenado ao confino, que consistia num exílio ou confinamento em localidades remotas. Entre Agosto de 1935 e Março de 1936, Cesare Pavese esteve confinado, encarcerado, em Brancaleone Calabro, uma pequena localidade na província de Reggio Calabria.
Essa experiência e esse cenário inspiram a narrativa de «O Cárcere», que também se poderia ter traduzido para «A Prisão», mas entendeu-se que esta segunda opção remeteria para um estabelecimento prisional, quando o que aqui se trata é de um encarceramento a céu aberto – «os dias continuavam tão longos que bastava parar por um momento a olhar em redor para que se sentisse isolado como se estivesse fora do tempo»
[da nota introdutória]
Stefano, o protagonista, encarna a solidão do homem que é forçado a observar a vida “como da janela da prisão”, na monotonia de uma paisagem de céu e mar, sempre igual e indiferente.
O Cárcere na crítica
Pedro Mexia, sobre O Cárcere, no Expresso, 13 de novembro 2025
Pavese quase Pavese: “O Cárcere” e o período de confinamento do escritor italiano
Cesare Pavese foi sempre um homem confinado, devido à sua vocação solitária, à frieza emocional, à incapacidade sexual e amorosa. Mas entre Agosto de 1935 e Março de 1936 viveu literalmente em confinamento, condenado pelo regime fascista por ter guardado cartas dirigidas à sua amada, Tina Pizzardo, militante comunista. Esse exílio passou-o a mais de 1000 km da cidade onde vivia, Turim, na localidade de Brancaleone Calabro, Calábria. “O Cárcere”, novela escrita pouco depois, mas publicada apenas em 1948, juntamente com “A Casa na Colina”, é quase um diário transposto.
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João Pedro Vala, sobre O Cárcere, no Observador, 29 de novembro 2025
Exilado como nós: notas sobre "O Cárcere" de Pavese
"O Cárcere" brilha sobretudo ao descrever a sensação de estarmos presos mesmo quando não vemos as paredes de uma cela. E ao fazê-lo, fala de algo bem mais universal e profundo.
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| Marca | De A a Zola |
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