Obra inspiradora do Surrealismo, tudo nestes Cantos foge ao convencional — desde logo pela temática em torno do mal, concentrada em Maldoror, personagem transgressiva, violenta, de uma perversidade extrema, até à forma dos versos, que são na verdade longos parágrafos torrenciais, a que acresce um narrador que é por vezes o personagem principal e noutras um mero observador que se conserva a distância segura —, numa história de ritmo frenético, rodeada de escuridão e estranheza, mas numa escrita de enorme vivacidade e especialmente crítica do homem.
A Maldoror chega às cinquenta publicações recuperando a tradução de Pedro Tamen, e acrescentando a estes Cantos de Maldoror os desenhos que René Magritte compôs para esta obra.
Isidore Ducasse (1842-1870), nas suas próprias palavras, filósofo incompreensabilista, uruguaio, auto-intitulado de Conde de Lautréamont, desaparecido misteriosamente numa pensão parisiense aos 24 anos, escreveu aquela que é ainda hoje unanimemente considerada a obra literária mais explosiva desde o seu surgimento, elevado a génio pelos surrealistas e a maldito pelos meios conservadores.